O presidente da Associação de Moradores do bairro Jardim Cidade Nova, Venildo Walter De Zorzi, fica tenso a cada nova curva de um carro.

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A resposta negativa para a instalação de uma lombada teve como base a análise da Comissão de Trânsito da Lapa.

A Avenida Juscelino Kubitscheck, no bairro Jardim Cidade Nova, foi asfaltada na gestão do ex-prefeito Miguel Batista. Ao recordar o discurso da época, Miguel dizia que a Lapa precisava de “asfalto bom, não de ‘casca de ovo’”. Muito bem, o trabalho foi bem feito ali, mas impressiona que alguns detalhes sobre a segurança no trânsito não tenham sido pensados.

No final da avenida, no trecho onde tem uma rotatória, a confusão na sinalização chega a ser perigosa. Quem sai dirigindo seu carro, da UPA em direção ao Fórum, e faz a rotatória para chegar na Rodovia do Xisto, não imagina o risco que uma imprudência despercebida pode causar. Bem ali, quase imperceptível, está uma placa indicando o sentido de contramão. Só vê a placa quem está muito atento, alguns momentos antes de começar a fazer a rotatória, mas, depois de adentrar no largo circular, a sinalização fica completamente invisível, principalmente pela posição da placa que passa a ficar do lado direito do motorista, sem nenhuma sinalização à sua frente.

Para o presidente da Associação do Bairro Jardim Cidade Nova, Venildo Walter De Zorzi, 74 anos, morador vizinho ao local, o problema é grave e ultrapassa a questão da rotatória. “Quem vem da rodovia para a cidade também não respeita um limite prudente de velocidade. Eles vêm muito rápido e a curva é perigosa. Não sei como nenhuma mãe que leva os filhos para a creche da Vila São José ainda não foi atropelada, pois elas atravessam bem aqui”, explica Venildo, que é aposentado, mas ainda trabalha como instrutor de trânsito em autoescolas.

Solicitação

No dia 29 de julho de 2013, Venildo, em nome da associação do bairro, solicitou à prefeitura a instalação de uma lombada, nas proximidades da curva existente na Avenida João Joslin do Vale, próximo da entrada da Avenida JK, no sentido Avenida Aloísio Leoni. A finalidade do pedido era diminuir a velocidade dos veículos e evitar acidentes com graves consequências (foto da solicitação está na matéria).

A resposta da prefeitura, por meio da Comissão de Trânsito da Lapa, veio em setembro de 2014, mais de um ano depois, negando a instalação da lombada, informando que os membros da comissão visitaram o local e concluíram que a rotatória é bem sinalizada e que, por isso, não precisa de lombada (foto da resposta está na matéria).

Acidentes

Nesse meio tempo, Venildo contou que um acidente fatal aconteceu justamente ali, quando um carro em alta velocidade derrapou na curva e acabou batendo no muro de uma casa. O motorista, que estava sem o cinto de segurança, morreu. “Infelizmente, os motoristas brasileiros são mal educados. Eles desrespeitam as leis”, analisa o presidente da associação, contando que, para piorar, a pista naquele local da JK, quando chove, arrasta detritos e pedrinhas da rua transversal e o trecho fica escorregadio. “Os carros em alta velocidade têm muita chance de não parar na pista. Além desse acidente com morte, um poste já foi arrancado em uma batida, tanto que os fios da rede telefônica agora estão sustentados por um cabo de aço”, revela.

Persistência

A Associação do Bairro Jardim Cidade Nova vai continuar insistindo na instalação da lombada. Venildo disse que os meios de comunicação da cidade são importantes nesse processo, pois tem o poder de alertar a população sobre os riscos. “Já procurei a Tribuna Regional, agora o jornal de vocês, e tenho esperança de que alguma coisa aconteça”, diz.

Enquanto fazíamos reportagem, pudemos constatar a veracidade das informações flagrando um carro indo pela contramão, sentido rodovia, depois de fazer a rotatória.

Lombada, sinalização e pista escorregadia

Olhar para os dois lados, perceber a sinalização e diminuir a velocidade deveriam ser atitudes corriqueiras para os motoristas, mas não é o que acontece no final da Avenida JK.

Pior ainda, ao olhar para cima, é possível ver os fios telefônicos sustentados por um cabo de aço. Essa foi a solução encontrada depois que um poste foi arrancado em uma batida.

As chuvas ainda causam um outro problema. Elas carregam para dentro da JK os detritos e pedras da rua transversal, deixando a pista escorregadia bem na curva, que não é tão fechada, mas em alta velocidade se torna muito perigosa.

É possível ver no local as marcas que inúmeros acidentes têm deixado, desde amassados em postes de iluminação até o reboco refeito no muro onde ocorreu um acidente fatal.

Fotos Alex Calderari
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