Partidos. A cidade precisa que eles se unam para ter crescimento e conquistar emendas. A missão é difícil, mas a saída ideal é essa.

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Rogério acompanha as articulações políticas na Assembleia e diz que chegou a ho ra da Lapa.   | Foto Alex Calderari

Rogério Pessoa Xavier da Silveira, 50 anos, cursa o oitavo período do curso de Direito e é assessor parlamentar na Assembleia Legislativa há sete anos, no gabinete do deputado estadual Nelson Garcia (PSDB), representante da região noroeste do estado. Por conta da sua experiência na política, que inclui o engajamento em campanhas anteriores a esta de 2014, Rogério diz que o cenário atual aponta para uma mudança de lideranças dentro do município da Lapa, desde a entrada de novos nomes no legislativo federal, até o acolhimento da cidade por quem já tem cadeira no legislativo estadual. O Trajeto Lapa conversou com Rogério para saber dos bastidores da política lapeana e como a cidade se beneficiará com o resultado das urnas de governador, senador, deputado federal e estadual.

Entrevista

O que a política significa para você? É a arte de estar atento. Para que a política seja bem feita é preciso pensar em sua essência: o relacionamento. Não há como solicitar ou encaminhar qualquer pedido no parlamento sem se envolver com as pessoas. Tudo é relacionamento e a Lapa tem pecado um pouco nisso.

Você está dizendo que os políticos da Lapa estão falhando ? De maneira nenhuma, mas eu vejo o quanto o gabinete em que trabalho luta para levar projetos até o noroeste do Estado. Acho que essa mobilização poderia acontecer na Lapa também. Acontece que os interesses particulares parecem estar predominando e com isso só aparecem projetos que atendam a esse tipo de jogo político. Quando alguém consegue um asfalto os flashs das câmeras fotográficas começam a disparar como se fosse um grande acontecimento, no entando, a briga pela qualidade da infraestrutura urbana deveria ser rotina.

Falta liderança? Talvez. Eu não sou um cientista político capaz de dizer o que falta e o que não falta, mas na Assembleia eu vejo a dificuldade dos municípios quando não há uma pessoa forte que os represente. Ninguém consegue nada. E, para ser sincero, tenho visto a Lapa perder pelo menos R$12 milhões anualmente por conta de não haver solicitação de projetos e emendas. A Lapa, na região sul, é o último município que faz parte da Região Metropolitana, se nao tiver um representante na Assembleia os outros não vão fazer nada por nós. É aquela velha história: se não chorar, não mama.

Como você vê a campanha eleitoral deste ano? É a nossa hora. Somos cerca de 28 mil eleitores e temos que mostrar essa força nas urnas. Para sermos valorizados precisamos sair da condição de município neutro e descarregar energia em quem possa trazer o progresso. Vai ser uma campanha acirrada. Nosso grupo não vai entrar em discussões ou agressões pessoais, e sim, fazer um trabalho limpo e bacana em prol do município. Independente de qual partido fique à frente, temos que buscar trazer os recursos para a cidade. Aliás, tenho sempre lutado por essas questões das melhorias, investimentos e recursos. Quem detém o poder precisa ter compromisso com a população. A Lapa precisa estar bem e esse deve ser o mote da campanha.

Quem é o grupo de vocês? Ainda é cedo para divulgar. Muita coisa está sendo ajustada, ainda há conversas com alguns partidos, mas posso dizer que será um grupo muito forte. Os candidatos a deputado estadual e federal que estamos apoiando são honestos e trabalhadores e seus nomes surgiram em meio ao grupo por terem sido convidados a apoiar a Lapa. Ninguém caiu de paraquedas para levar nosso apoio e depois desaparecer.

Quem são os candidatos de vocês? Um deles tem ligação direta com a Lapa e o outro conquistou essa proximidade depois que criou a Lei Complementar nº170/14, que trata da divisão de ICMS aos municípios com mananciais de abastecimento e unidades de conservação ambiental, conhecida como a Lei do ICMS Ecológico. Não sei se já podemos falar em nomes em entrevistas, podemos? Em todo o caso, a decisão que tomamos em grupo foi apoiar o Pedro Guerra, filho do Alceni Guerra e da lapeana Angela Guerra; e o Francisco Bührer, deputado atuante na Região Metropolitana de Curitiba. Acredito que podemos fazer uma boa votação com eles.

Quem são os outros que devem ser bem votados na Lapa? Para dar uma opinião dessas é preciso ter proximidade com os outros grupos, mas se eu fosse apostar, além do Pedro Guerra e do Francisco Bührer em milha lista estariam Nelson Justus, Élio Rusch, Alexandre Curi, Ratinho Junior, Ney Leprevost, Guto Silva, Tadeu Veneri, Professor Lemos e Anibelli Neto.

Quantos grupos deverão se formar? Bom, são 13 partidos na cidade. Deveremos ter pelo menos cinco grupos políticos efetivamente em campanha e isso vai envolver muitas pessoas. Até a metade de agosto deveremos saber quem apoia quem.